Um dos fatores primordiais que levam uma obra, de ficção ou não, a atrair o interesse de um público específico é a importância de um personagem. Grandes obras possuem personagens marcantes, que ficarão para sempre no imaginário popular. Às vezes, a construção de um personagem é tão elaborada que a sua populariedade faz com que um enredo coerente não tenha tanta importância para o filme; o personagem se sustenta por si só. Para isso, basta ver as pífias continuações de grandes blockbusters, que tentam arrancar até o último centavo que um personagem de sucesso possa conseguir do público. Embora, na maioria das vezes, o resultado desses filmes seja bastante frustrante para os fãs, a força da imagem do tal personagem mantém acesa a esperança de que haja outras boas histórias a serem contadas. Isso, aliado ao fato de o mercado cinematográfico estar a cada dia mais lucrativo, graças a filmes que chegam a arrecadar milhões de dólares, faz com que os roteiristas queimem seus neurônios tentando criar o próximo ícone dessa indústria do entretenimento. Geralmente, para os filmes de grande bilheteria, o sucesso veio em forma de um homem super poderoso, de uma mulher aventureira, de um cão corajoso, de um gorila com mais de 4 metros de altura e, até mesmo, em forma de um carro. Foi com um carro que, em 1968, a Disney lançou “The Love Bug”, um filme que introduziria na história cinematográfica o querido Herbie, um dos mais simpáticos personagens criado para a telona. É com Herbie que eu inauguro essa nova categoria do Substância D, “Garagem dos Sonhos”, na qual contarei, esporadicamente, a história e as curiosidades dos veículos que fizeram sucesso na mídia e que se tornaram objetos de desejo de todo milionário nerd e excêntrico.

Em “Se meu Fusca Falasse” (The Love Bug, 1968), somos apresentado ao simpático fusquinha. Acolhido pelo piloto azarão Jim Douglas (Dean Jones), o veículo, dotado de personalidade própria, acaba se tornando um campeão das pistas, para inveja do também piloto Peter Thorndyke (David Tomlinson), que tenta acabar com o fusquinha valendo-se dos truques mais sujos possíveis. A história do filme é leve e bem “família”. Segue um estilo pastelão e, muitas vezes, lembra o antigo desenho de Hanna-Barbera, “Corrida Maluca”, com as trapaças da dupla vilanesca, estereótipos de Dick Vigarista e de Muttley. Mas diverte, e muito. São inesquecíveis os momentos nos quais Herbie aparece em cena, muitas vezes favorecido pela excelente trilha sonora composta por George Bruns. Na época em que o filme foi lançado, a Volkswagen vendia fusca como água e o veículo se tornou, em pouco tempo, um ícone pop. Tanto que a Volks nem se importou com a retirada de seu logotipo da carcaça do carro. Seu maior astro estava ali, brilhando e atraindo um grande público para os cinemas. Com o sucesso do longa, já era de se esperar que continuações aparecessem. Foram 5 filmes, sendo um deles – estrelado por Bruce Campbell (o eterno Ash, da saga The Evil Dead) – produzido direto para a TV:

  • As novas aventuras do Fusca (Herbie Rides Again) – 1974
  • Um fusca em Monte Carlo (Herbie Goes to Monte Carlo) – 1977
  • A ultima cruzada do fusca (Herbie Goes Bananas) – 1980
  • Herbie: The Love Bug (1997)
  • Meu fusca turbinado (Herbie: Fully Loaded) – 2005

São essas, porém, obras menores, que não chegam aos pés do filme original. Cada um desses filmes tem, sim, sua cena marcante – os Herbies “maus” e o voo sobre o Empire State, no filme “Herbie Rides Again”, e a corrida no tradicional circuito de Mônaco, em “Herbie Goes to Monte Carlo”, são impagáveis –, mas são apenas sombras, que somente serviram para mostrar que o simpático bug é um dos maiores personagens da sétima arte, mesmo sendo um carro.